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“Nada é mais difícil que pensar”.

06 fev “Nada é mais difícil que pensar”.

Em conversas informais sobre política internacional, tenho ouvido muitas pessoas se dizerem preocupadas com a possibilidade do retorno de uma polarização do poder e da política no mundo como nos velhos tempos da guerra fria, em virtude das atitudes do novo presidente dos EUA, Donald Trump, que estão lhe rendendo acusações de ser autoritário, centralizador e nacionalista.

Faz sentido tal receio, pois vale a pena lembrar que tivemos casos de governos na história da nossa civilização, por mais incrível que possa parecer, cujos líderes totalitários ascenderam ao poder, graças a democracia !!!

Vou recorrer a um filósofo irlandês, chamado Edmund Burke, que por volta de 250 anos atrás, procurou alertar sobre o perigo do excessivo acúmulo de poder, seja institucional ou político, mesmo que dito em prol do povo, e estivesse amparado por uma ideologia regida por princípios de “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” , como fora o caso da revolução francesa.

Já dizia Burke, naquela época que:

“Até mesmo as democracias são capazes de expressar as mais cruéis opressões sobre a minoria..”

O perigo se mostra quando começa a ocorrer uma discrepância entre as palavras e os atos desses líderes que chegaram ao poder, e sorrateiramente suas palavras começam a se esvaziar de sentido ideológico ou político que outrora embasavam seus discursos, e passam pouco a pouco a respaldar atos de violação de valores e de direitos, usando o medo e a violência para coagir, até que por fim acabam por subjugar o povo às suas manobras, através da destruição de vidas humanas.

Incrível como Burke já alertava com sua sagacidade dizendo:

“É um erro popular muito comum acreditar que aqueles que fazem mais barulho a lamentarem-se a favor do público sejam os mais preocupados com o seu bem-estar..”

Vale a pena lembrar que, nem sempre o fato do indivíduo ter sido o melhor líder corporativo, por melhor que sejam as suas intenções, quando se faz prefeito, governador ou presidente, pode vir a ter sucesso numa carreira executiva do governo, pois o contexto da arena política é bastante diferente, e ele pode não ter a habilidade necessária para exercer esse desafio.

Então, o que podemos aprender com isso?

Os verdadeiros direitos do homem estão internalizados na sua história e tradição, por isso avisava Burke:

“Um povo que não conhece a sua história está condenado a repeti-la”.

O maior aprendizado talvez seria que, ao invés de nos preocuparmos com as motivações de um líder de estilo autocrático, melhor seria se procurássemos entender, o que nos leva a deixarmos que tais líderes, após ascenderem ao poder, imponham suas vontades sobre nós.

Às vezes, nós subestimamos a capacidade de conchavos e acordos que esses líderes são capazes de fazer para ampliar e manter o seu poder, onde através de lisonjas verbais e gratificações materiais vão atraindo pessoas cada vez mais medíocres moralmente e servís, assim pouco a pouco, e sem nós percebermos, ela vão implantando as condições para uma liderança autocrática, o que torna um risco para se formar um regime totalitário.

Portanto, alguém que tente convencê-lo de abrir mão de seus direitos adquiridos em nome de alguma ideologia filosófica, política ou até mesmo religiosa, pode ser um inimigo em potencial de uma vida de liberdade e felicidade.

Finalmente, gostaria de terminar com a célebre frase de Burke que pra mim o imortalizou:

“Para que o mal triunfe basta que os bons não façam nada”

Autor : Northon Dengler
http://linkedin.com/in/northondengler

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